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Mentes atordoadas: a dor da rejeição

Fico pensando se as pessoas seguissem o que Mário Quintana disse a respeito de promover e incentivar os sentimentos de paixão no outro, se haveria menos sofrimento:

“Nunca diga “te amo” se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.”

Penso também em como não se apaixonar. Será que o outro sabe se vai se apaixonar ou não? Será que a paixão por si só mantém um relacionamento? E as circunstâncias falam mais alto neste momento? Como não permitir que alguém se apaixone por você?

Tantas perguntas, mas o que realmente importa é que quando o coração acelera, a barriga gela (sensação de medo) e a mente atordoa, não há o que fazer, a não ser esperar as cenas dos próximos capítulos. Cenas estas que na maioria das vezes são dramáticas e até sangrentas.

É tão bom quando nos apaixonamos e encontramos ali um terreno fértil para que plantamos a nossa sementinha de amor e a cada dia regamos, adubamos e colhemos frutos que nos alimentam e assim, continuamos, plantamos, adubamos e colhemos.

Melhor ainda é quando pulamos a etapa da paixão e não temos que lidar com aquela química desenfreada que o nosso cérebro libera. Quando assim, encontramos a nossa metade e pronto, um sorriso, um olhar e a sensação de há muito tempo conhecer o outro. O sentimento de amor e paz transborda, todas as dificuldades são encaradas, conversadas e resolvidas. O equilíbrio a dois supera as circunstâncias.

Quando as circunstâncias não são favoráveis e um vai embora, a dor é muito grande. Lágrimas são derramadas, a mente fica atordoada, perdeu-se o chão. Carlos Drummond de Andrade disse: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”. Quem está vivenciando esta dor não tem condições de avaliar esta frase.

O outro se foi e tirar o sofrimento neste momento é como tirar a única coisa que lhe restou. O sofrimento é um conforto. É ele que promove as lembranças do ser amado, que deixa-o mais próximo de si.

Normalmente não são relacionamentos de muito tempo e outra característica presente, são de pessoas que estão só há algum tempo ou que viveram ou vivem casamentos infelizes. Pode acontecer com os homens, mas a maioria das vezes acontece com mulheres, pelo fato de que a mulher é mais propensa a avaliar sua vida, buscar e viver momentos felizes de amor. Então, entram de cabeça, alma, coração e necessidades afetivas.

O homem busca a emoção de um novo relacionamento, mas tem mais dificuldade de entregar-se a essa paixão e dependendo das circunstâncias de sua vida, ele prefere ficar onde já conhece, ou a sua liberdade de solteiro ou o casamento conveniente. Na verdade, sofre mais quem está mais envolvido na relação, que tinha mais expectativas a respeito do relacionamento.

Muitas mulheres entram em relacionamentos assim, dizendo que não querem nada sério, mas acabam esperando um pouco mais do parceiro. As promessas de viver intensamente e ser feliz enquanto dure, são promessas de fachada e uma hora o cenário desmonta. Depois de uma crise de ciúmes ou uma simples cobrança, inicia-se o distanciamento.

No início há algumas desculpas por falta de tempo e cada vez mais vão se espaçando os encontros. As desculpas são trocadas pela não informação. Já não se sabe mais nada sobre ele, que não diz mais nada também. Contradiz-se e se nega a falar dos seus sentimentos. Ameaça-a e nega-lhe a sua presença, humilhando-a quando fala sobre o seu estado emocional.

Ela se torna desequilibrada aos olhos dele e acaba acreditando e agindo como se fosse. Perde o viço da pele, seus olhos caem, sua cabeça gira, seu corpo deprime, seu peso diminui, seu peito dói, seu estômago embrulha, sua barriga gela, sua garganta fecha e sua identidade quase se evapora. O medo da perda se instala.

Ele some, desaparece, não responde os recados. Ela luta contra o desespero e a solidão. Quer falar sobre ele. Quer saber sobre ele. Pede aos céus uma informação, faz promessas e negocia com o seu santo de devoção.
Nada ajuda. Graças a alguns conselhos felizes ela começa a se olhar, muda o cabelo, cuida da pele e quem sabe deixando o externo um pouco mais bonito ele vem.

Quando começa a se manter de pé e acostumar com a falta, ele volta. Aí eu me lembro daquela música do Roberto Carlos: – “Quando eu penso que esqueci, o telefone entra rasgando madrugada a enlouquecer. O coração dispara, a mesma história vejo acontecer. E atordoado eu digo alô e é você…”

Normalmente diz que se importa com ela, que está indeciso, mas que não consegue mais ficar longe, pensa muito nela. A esperança volta, o brilho ascende e começa o ciclo tudo de novo. E Roberto esclarece o que acontece em seguida: “…Fala de amor, às vezes chora e mexe com meu coração. Me faz pensar que ainda me ama e alimenta essa ilusão, que acaba nas semanas que você me esquece…”

Este ciclo pode durar muito tempo, meses ou anos, dependendo da visão de mundo dessa mulher. Mas o tempo não importa muito, mesmo que seja um mês, o estrago no emocional é muito grande.
Quando passa um certo tempo da ausência, os sentimentos se misturam e a raiva toma conta. É preciso se vingar. Vingar-se do abandono, do desamor, da falta de importância. Ela se sente usada e depois jogada fora. Briga, liga milhões de vezes, ameaça e depois se sente culpada.

Mesmo com o sentimento de vingança e culpa, se ele aparece novamente, sempre há a esperança. É um momento que aceita as migalhas. Ele sempre volta porque não quer dar a chance de outro se aproximar, e dificilmente o homem finaliza de vez o relacionamento.

O que ela não sabe reconhecer é que o não ela já tem. Tem a não presença, o não afeto, o não companheirismo, a não cumplicidade, o não senso de importância, o não prioridade, o não romantismo, o não amor etc.

Ela já convive com todos esses nãos e tem que viver um dia depois do outro assim. Então, aproveita que já está só e acrescenta o “não” mais importante aí: a Não Dor. Não espere que ele venha, espere que venha o amor e se for ele um dia, tudo bem, afinal as pessoas podem mudar, mas não espere esta mudança, porque só depende dele e no tempo dele.

Ninguém consegue mudar alguém. Este alguém pode mudar a partir de exemplos adquiridos e da própria vontade, circunstâncias e objetivos. Valorize o que você sente e transforme essa dependência em amor.
Prepare-se para receber a visita de um amor que te complementa. Lembre-se que a coisa mais difícil que tem no mundo é encontrar alguém que nunca tenha passado por isso e como ironia do destino, eu também passei por isso. Pelas minhas observações e estudo sobre relacionamento, parece que passamos por vários tipos de amores.

Se você  não viveu esse tipo de amor na adolescência, um dia ele vem e sem dó, nem piedade, chega devastando a nossa inteligência e nossos sentidos. Parece que precisamos dessa experiência para amadurecimento e contar pontos para a nossa evolução.

Já presenciei um caso de paixão aos 76 anos de idade e sem diferença nenhuma nos sintomas e comportamentos. O homem tinha 80 anos e agia com os mesmos comportamentos de abandono de um de 20 ou 30 anos.
Outra característica é que não difere de status social, cultura ou espiritualidade, todos sentem da mesma forma, a única diferença é o enfrentamento da dor e a mudança de alguns comportamentos.

A melhor coisa a fazer é aquietar a mente, buscar ajuda terapêutica, não falar do assunto e da pessoa em questão (quando não se fala, distancia-se da emoção, quando se fala, traz-se a emoção para o agora e muito mais intensa). Foque em você e nos seus projetos. Quando alguém passa por isso e tem um projeto de vida, uma missão, se torna muito mais fácil passar por esses momentos.

A mente fica atordoada, mas mesmo assim se esforce para continuar no jogo da vida. Faça tudo o que as outras pessoas fazem, mesmo que você esteja sem brilho nenhum, uma hora este brilho volta.

Uma notícia boa: Quando tudo isso passar, o seu brilho retornará com muito mais intensidade, é a empoderação do Eu. É o estar de volta. Recuou na batalha, mas não perdeu a guerra.

Agradeça esta fantástica experiência e a vida continua!

About The Author

Tina Muniz

Psicóloga, terapeuta holística há 25 anos com inúmeras formações em terapias naturais e energéticas. Incansável estudiosa da Psiconeurociência, Cura Quântica, PNL, Hipnose e a Vida e Ensinamentos do Amado Mestre Jesus. Tem como foco principal o trabalho com Relacionamentos Afetivos, possibilitando o trabalho de questões físicas, mental, espiritual e emocional. O Trabalho de Tina Muniz visa o SER em sua completa singularidade. Para saber mais acesse: tinamuniz.com.br ou envie um e-mail para contato@tinamuniz.com.br