Upset young woman sitting with her husband in background

Você perdeu o interesse pelo sexo?

Quando o assunto é o desejo sexual, não existe uma regra do que é certo ou errado e, independentemente de ser homem ou mulher, existem pessoas que são mais ativas no sexo e outras que sentem menos necessidade. Existe também uma pequena parcela da população que não sente falta e sexo e se sente muito bem assim.

Um estudo feito pela faculdade de medicina da USP mostrou que 30% das mulheres no Brasil sofrem de inibição do desejo.
Quando o desinteresse pelo sexo começa a incomodar a mulher, muitas vezes ela tem dificuldade de identificar o que está acontecendo. Isso ocorre, porque as causas podem ser orgânicas, psicológicas, sociais ou combinadas.
Entre os fatores orgânicos que podem contribuir para a inibição da libido da mulher estão o estresse ou a TPM (tensão pré-menstrual) que geralmente é passageira. Certos medicamentos, como aqueles usados em regimes alimentares e alguns antidepressivos, também podem inibir temporariamente a libido, neste caso, é importante falar com o médico que indicou a medicação.

O nascimento de um filho também deve ser levado em conta, pois as alterações hormonais que ocorrem nessa fase direcionam quase toda a sua energia para as necessidades do bebê. Além de que essa é uma nova fase de reorganização da vida familiar, que precisa de muita colaboração do parceiro.
Outro fator orgânico que contribui para a inibição do desejo da mulher é a depressão pós-parto, neste caso o médico deve ser informado.

Por outro lado, quando as causas são psicológicas, nem sempre é tão simples identificá-las. Existem muitos mitos com relação à maternidade, algumas pessoas têm dificuldade de associar a figura da mulher maternal com a sexual, pois sentem que esses papéis são incompatíveis. Por incrível que pareça, isso às vezes, também acontece com alguns homens que, de maneira inconsciente, perdem o interesse sexual pela parceira.

Outro motivo que gera insegurança em muitas mulheres na hora do sexo é a autoimagem. Somos bombardeadas desde a hora que levantamos até a hora de dormir por imagens de “beleza” apresentadas em revistas femininas, outdoors, televisão, cujo objetivo é fazer a mulher se sentir inadequada, levando-a a consumir produtos.

Os mitos da eterna juventude, o culto a falsos padrões de beleza e a falta de senso crítico, acabam interferindo em sua autoestima e, em consequência, na vida sexual, pois ela acaba acreditando que o parceiro vai perder o interesse por ela ao compará-la a outras mulheres ou às modelos que estão dentro desse padrão estabelecido.

Por outro lado, existem aquelas que sofrem consequências na vida íntima, pois tiveram uma história de abuso e violência sexual. Nestes casos, é importante que a mulher procure uma ajuda terapêutica para que ela aprenda a dissociar uma experiência desagradável vivida no passado, da vida sexual saudável a que ela tem direito.

Contudo, a educação repressora é um dos principais fatores que contribui para a falta de desejo, muitas mulheres não se acostumaram a pensar no aspecto prazeroso do sexo e, portanto não valorizam o aprendizado do próprio corpo, não se permitindo explorar as diversas formas de se dar prazer. E, por acharem que é pecado, feio ou desnecessário, elas não se preparam para uma vida sexual prazerosa.

Outro fator que deve ser considerado é a coragem para avaliar como anda a relação do casal. Nem sempre a mulher está preparada para admitir que seu baixo interesse pelo sexo tenha a ver com o(a) parceiro(a), pois ao reconhecer essa realidade, ela terá de tomar alguma providência.

Por outro lado, o desinteresse pelo parceiro, em muitos casos, está relacionado a sentimentos de raiva ou de mágoa que vão sendo guardados com o tempo. Daí a importância de a mulher cultivar o autoconhecimento e adquirir mais autoconfiança para falar sobre os seus sentimentos. Guardar sentimentos que incomodam é prejudicial para a autoestima, para a saúde e a para relação.

Sexualidade é energia de vida e de amor, está relacionada à nossa personalidade, aos nossos sentimentos e comportamentos. Já o sexo é uma atividade de prazer, embora não seja assim para muitas pessoas. Mas, fazer sexo sem prazer é uma violência contra si mesma, uma falta de respeito com o próprio corpo, que traz consequências; baixa autoestima, sentimentos de inadequação e disfunções sexuais.

A mulher que tem muita dificuldade deve buscar ajuda profissional especializada. O prazer existe para ser desfrutado, mas é preciso vontade e aprendizado para ampliar o próprio universo sexual. Só assim ela terá autonomia para a busca do prazer com mais liberdade.

 

About The Author

Carmen Janssen

Carmen Janssen - Psicanalista clínica, sexóloga, escritora e conferencista internacional. Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. Especialista em Disfunções Sexuais Femininas e Relacionamentos Amorosos. Autora dos livros: Massagem Sensual para Casais Enamorados, Inteligência Sexual e coautora de Damas de Ouro sobre empreendedorismo feminino. Colunista do Jornal Folha de Campinas.